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Técnicas de Entrevista nas Organizações
Por Flávio Henrique Kirk

Muitas das vezes, quando se fala em Segurança nas Organizações, aflora, de imediato, a idéia de proteção de ativos e de pessoas, não raro relegando-se a segundo plano as medidas de salvaguarda de conhecimentos estratégicos, cuja posse pela concorrência pode acarretar sérios prejuízos.

Ao contrário dos recursos financeiros, materiais ou mesmo humanos, o valor do conhecimento não é facilmente compreendido, classificado e medido. É um bem invisível e intangível.
Muitas instituições, cientes da importância da preservação de suas informações estratégicas, já não poupam esforços na identificação e análise de suas vulnerabilidades neste campo.
Em fevereiro de 2008, foi difundido pela imprensa brasileira um caso clássico de furto de informações estratégicas, vitimando a Petrobrás: o desaparecimento de Notebooks e HDs que continham  informações confidenciais da estatal sobre dados geológicos das bacias brasileiras, inclusive a mega província petrolífera de Tupi. As investigações, independente das conclusões finais a que tenham chegado sobre a autoria do atentado, revelaram, como grande contribuição, o exemplo típico de como a inexistência de controles rígidos de informações sigilosas e estratégicas podem significar sério risco ao negócio.
 É essencial uma definição clara da política de proteção da informação da Organização, que deve abordar de forma séria, entre outros aspectos, os critérios para a seleção dos recursos humanos destinados a lidar com conhecimentos sensíveis, bem como o desenvolvimento de mecanismos eficientes para investigar fraudes, sejam elas oriundas de motivação material ou intelectual, sendo esta última, muitas vezes, a mais grave.
A seleção do pessoal destinado à lida com temas sensíveis não pode se restringir à avaliação dos candidatos somente quanto aos aspectos cognitivos ou meramente psicomotores. Há que se buscar, primordialmente, a identificação de atributos morais e comportamentais que recomendem o indivíduo para o cargo pretendido, devendo ser considerados os riscos de sua cooptação por concorrentes, criminosos ou pessoas e entidades que simplesmente queiram prejudicar a imagem da instituição.
O domínio de técnicas de entrevista adequadas a este propósito constitui-se em instrumento de grande valor para o levantamento de dados essenciais para a seleção criteriosa destes profissionais, reduzindo os riscos de infiltração, auxiliando na apuração de fraudes e outros desvios e, até mesmo, dependendo da habilidade do entrevistador, induzindo ao comprometimento do entrevistado com a instituição.
A instituição que conseguir compreender a relevância do domínio de ferramentas como esta, essencial na preservação de seu patrimônio de conhecimentos, bem como no saneamento do seu ambiente interno, terá obtido um diferencial relevante em sua capacidade competitiva.



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